Te peço calma para que eu absorva tudo Que eu aprenda enquanto sofra Te peço tempo para concatenar cada elemento em passo lento, mas, ao sopro do vento.
A Soma de Todas as Coisas
Não ando escrevendo porque um grande bloqueio me persegue.
Prefiro achar que é um período de introspecção que me levará a novos e claros pensamentos. Caso não seja isso, problema. Acho mais chique e elegante lidar com o a instrospecção.
Os dias andam estranhos: do dia 13 pra cá foram muitas mudanças: perdi um amigo, a Ministra Marina pediu demissão (sim, isso me afeta de várias formas: desde a política até o pagar as contas) e um grande amigo descobriu que será pai. Nada demais se tudo não tivesse aparecido ao mesmo tempo e se todas essas coisas não tivessem abalado a minha incrível habilidade de achar que nada tem qualquer ligação comigo.
A perda do amigo, por si só, já é phoda (é, com PH como diria a Candi). A distância natural da vida nos separou, mas o encontrava ocasionalmente e nunca perguntei, verdadeiramente, se tudo estava bem. Digo isso por temos duas formas para fazer essa pergunta ou de repente, uma entonação diferente: na primeira opção aceitamos que a pessoa nos diga que algo não caminha como deveria e escutamos atentamente a resposta. Na opção seguinte perguntamos se alguém está bem presumindo que tudo caminha tranquilamente, não estando muito aberto ou seriamente atento para uma resposta contrária No caso desse amigo, descobri que sempre fiz a pergunta aguardando a resposta de que tudo estava na paz, mesmo não estando. E descobri isso da forma mais horrível possível... Não fiz nada e agora taí: mais uma coisa pra viver...
A demissão da Ministra me levou a ver que o mundo é uma merda mesmo e que o ser humano pouco se importa se alguém faz diferença. O que conta mesmo é o que se pode fazer com o dinheiro que se tem. Quem deveria não leva a sério determinadas situações. E eu me sinto duplamente ultrajada: enquanto estudante de biologia que procura estar atenta ao que acontece e enquanto cidadã, que tem que lidar com um monte de gente estúpida que se acha esperta porque tem poder mesmo não tendo a mais clara e simples idéia do que fazer com ele. É fato: a massa é burra e se sente bem sendo assim. E assim segue a vida dos infelizes... AH! Ainda existe o fato de que vou mudar de chefe e que ainda posso ser demitida...
Quanto ao mocinho que será pai é sempre admirável descobrir que aquele seu Amigo agora será responsável por uma vidinha fofa e novinha em folha, que só precisa ser devidamente amada e encaminhada pra levar uma vida que, se Deus quiser, será tranquila e maravilhosa! Mas isso leva as pessoas como eu, que se acham ainda no meio da caminhada, um atraso completo: eu estou de volta às atividades curriculares da graduação, me sentindo meio perdida em meio a tantas pessoas mais novas com idéias mais legais e com aquela leveza de que tanto sinto falta.
É bem verdade que me sinto preparada pra muita coisa como enfrentar mil tempestades e trovoadas, mas também sinto falta de uma certa despreocupação. Como aquela que não temos mais quando as contas chegam e precisam ser pagas; quando o amor perfeito ainda não bateu à sua porta e você só se imagina sozinha, no fim da vida, cercada de gatos que tem a vida amorosa mais agitada que a sua.
Não é nada novo nem nada único. Um monte de gente deve viver com essa sensação de vazio e de que ainda não se encontrou: mais um dos males da vida moderna. A questão é que hoje já lido e aceito, meio a contra gosto, o fato de que é chato se deparar com isso e é fácil se achar diferente na multidão, porque saber que existe gente assim não diminui a sua sensação de incapacidade.
Mas ainda assim: vamos lá! Continuarei vivendo, curtindo meus dias, como ando curtindo os meus domingos (sem aquela idéia da Segunda-feira iminente: os domingos têm sido lindos, ensolarados e dão aquela alegria preguiçosa, que te deixam bem por estar com pessoas que te fazem bem).
Vou caminhando e esperando todas as boas coisas pra mim e também aquelas tais borboletas que falei numa outra ocasião. . .
Trilha: The Kooks e Sixpence none the richer
Por Carol
* 5/23/2008 01:45:24 PM
Divagando... Again, Again, Again. . .
Estranho como a vida passa diante dos nossos olhos. . .
Eu por muito tempo achei que no dia em que isso acontecesse era porque estava chegando a hora da grande viagem. . .
Mas não, a vida passa diante dos olhos com regularidade quando a gente passa a se indagar sobre as escolhas que fez, os caminhos que percorreu e principalmente sobre as coisas deixadas pra trás.
Hoje não digo "pra trás" com o peso da indignação por ter perdido itens da minha bagagem mas sim porque tudo que fui deixando ao longo do caminho foi por opção quando percebi que ora tais coisas não faziam mais parte de mim, ora porque eu tive que deixá-los quando percebi o peso desnecessário que faziam sobre os meus ombros.
Estou, pra variar, com mil coisas pra resolver, decisões escrotas pra tomar... Mas é incrível como eu tenho me sentindo mais leve (tá, uma insônia aqui outra ali, um desespero básico também de vez em quando...) mais dona das minhas decisões...
Sim, minhas escolhas nem sempre são as corretas mas escolhas erradas todo mundo faz. Todo dia. Afinal, temos pelo menos 12 horas pra ficar acordado e fazer merda mas é bom quando a sensatez chega. Um pouco dela chegou pra mim esses dias e eu me peguei ouvindo mais, analisando mais e correndo pro lado tranquilo que sempre esteve ali, me esperando.
Também percebi que os momentos em que me movo são aqueles após as maiores crises existenciais do mundo (pra mim qualquer crise existencial é a maior do mundo, até que a próxima chegue) e como saí de uma há pouco tempo percebo mais uma vez todas as portas abertas pra mim.
Essas crises agora estão mais espaçadas e eu tenho conseguido deixá-las mais escondidas do que antes, dentro do meu peito e falando aqui ou ali com uma ou outra pessoa porque angústia demais faz mal e causa câncer...
Ando também me perguntando onde me encaixo no meio desse mundo, onde todo mundo tá casando, viajando, xingando ou tentando descobrir a cura para todos os males. E mais uma vez, uma brisa de serenidade passa por mim e eu vejo que eu me enquadro na menos serena das opções... Aquela do xingar porque quando fico com raiva de tudo, eu esbravejo e pelo menos resolvo a parte do câncer...
Bom, e assim eu vou vivendo.
Esperando a calmaria e vendo onde a vida me leva.
Mais um texto para a série "Textos sem sentido da Carol"...
Trilha: Nina Simone e a Maior Cheiradora de Todos os Tempos, Amy Winehouse!
Por Carol
* 3/24/2008 08:06:54 PM
Ano Novo Ano
Não escrevo há séculos. Não sei porque não tive vontade mesmo sabendo que algumas coisas precisavam ser escritas para serem exorcizadas... Ando assim, sem o menor saco pra pensar na lógica das coisas e continuo sem vontade de juntar a lógica à minha vida.
Do último post até hoje foram 04 meses e dez dias e muita água passou debaixo da ponte.
Esses dias andei conversando com um amigo e dizendo o quanto essa ano foi intenso, quantas coisas mudaram na minha vida e na minha cabeça e como vejo isso de forma correta, como se o cosmos me devesse isso há muito tempo.
Não que tudo tenham sido flores, tinha um ou outro cravo no meio, mas eu não me sinto tão cansada quanto antes, não sinto que estou empurrando a vida com a barriga e tudo parece certo.
Como se as decisões tivessem sido tomadas no minuto certo, mesmo esse minuto sendo aos 45 do segundo tempo! Como se um beijo tivesse parecido o beijo certo para aqueles 05 minutos, como se a decisão tomada fosse a certa para aquele determinado ponto da minha vida e achei divino, perceber que soltar os cachorros em alguma hora trouxe a tona a frase correta para evitar que eu tivesse uma gastrite!
É!!! Gastrite para os outros, não pra mim.
Acho que essa tranquilidade só o tempo proporciona.
Já decidi que não adianta ficar dando chilique que nem louca ou querendo quebrar tudo como o Taz. Algumas coisas simplesmente não fazem parte da sua vida, são só pequenos detalhes no caminho e isso torna a jornada mais divertida.
Acho que só uma coisa ainda falta: a coragem de mandar tudo às favas de vez em quando, deixar a prudência em casa e meter os pés pelas mãos uma vez ou outra... Só pra que eu me sentir mais leve...
Acho que a melhor descoberta do ano foi a de descobrir que as vezes a vida vai em preto-e-branco e que tem dias incríveis em que tudo é technocolor...Mesmo!
Quanto as decisões para o novo ano, tomei algumas, nada de extraordinário... Só listarei aqui as coisas que acho que servem pra mim e pra qualquer outro ser humano! E nao são promessas mas pequenos detalhes que quero incorporar à minha vida: vou falar menos palavrão, vou abrir meu coração, continuarei a sair em dias de sol e vou parar de sair tanto a noite, vou parar de achar que gato é um bicho falso, vou me lembrar sempre que beijos não são promessas e que alguns "eu gosto muito de você" não são pedidos de casamento... (afinal, é impossível não gostar muito de mim... ) vou ouvir músicas diferentes do que escuto, vou aprender a contar piadas, vou curtir mais o meu sobrinho e aprender a ficar de babá da minha afilhada!!
Ah! E esse ano eu pulo as tais sete ondas com fé. Se não ajudar sei que também não vai atrapalhar!!
See you next year!
Ano Novo
(Carlos Drummond de Andrade)
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
P.s: Cand Ruiva! Amo você! Bon voyage!!
Ps.2: Janaína Kerrrrrrrrrrrrr - Vou pra POA também... Qualquer hora dessas! Love you too!! Bon voyage aussi!!!
Por Carol
* 12/26/2007 02:53:31 PM
AS GAROTAS DA PONTE AÉREA BRASÍLIA-CURITIBA-POA
A vida sempre foi bem cômica pra mim e minhas amigas... Era tanta chateação, tanto azar e tanta palhaçada com relação ao amor que parecia que nada ia acontecer.
Mas eis que algo já aconteceu pra duas boas amigas! Duas mocinhas bárbaras...
Pra elas não foi só conhecer seus amorecos mas sim usar a frase “ ...e você vem comigo aonde quer que eu voe... “. É, elas conheceram mocinhos ótimos que mostraram que o amar pode ser uma boa idéia. E eu tenho visto como pode ser!
Com uma ponta de inveja estou em processo de separação de duas almas que sempre foram incríveis vidas pra mim! Cada uma de um jeito: uma desde a adolescência e outra que chegou junto aos meus carmas (leia-se ML...).
Elas agora se preparam pra ir.
Pra ir pra longe de mim , longe do telefone, longe da rua de cima e do Cocoricó.. Elas simplesmente vão pra mostrar que o tal Amor existe e que ele é bom demais pra quem já o conquistou.
E eu, a ciumenta de plantão estou aprendendo a dizer tchau agora, porque sei que no dia em que minhas doces amigas se forem, eu vou morrer um pouco, pela falta que elas me farão e por aqueles dois grandes corações que ficarão ali, no Sul!
Acho um tanto quanto estranho lidar com essa idéia.
A gente custa a acreditar mas um dia aprende que as amizades reais duram independente da distância ou da quantidade de telefonemas que se façam.
Eu, do alto dos meus 28 anos, já estou na fase de achar que o que chega só será agregado à minha vida se eu assim quiser e também estou na fase de ter a certeza que meus bons amigos já vivem perto de mim. Eles sempre estiveram por perto em todos os dias ensolarados, nublados, frios e estranhos e me acostumei a tê-los assim, perto de mim e do meu coração egoísta... E a preparação para o Adeus me parece tão dolorosa quanto real.
Uma coisa é certa: não quero vê-las aqui em Brasília a não ser por férias e quero ser uma boa amiga que pegue o telefone e as ajude apesar da distância. E quando a grana estiver tranquila, que eu também pegue a ponte-aérea e vá vê-las ali, na ponta do brasil (sim, brasil com “b” minúsculo porque agora o país me parece pouco importante) e passe alguns dias matando a saudade que eu sei, por me conhecer tão bem, que vai me doer nos novos dias dias ensolarados, nublados, frios e estranhos que ainda me chegarão, como aqueles em que elas estiveram ao meu lado.
Como já disse as duas, minha preocupação será a mesma de todas as outras amigas e eu vou torcer para que meus serviços de mocinha gente boa só sejam usados em caso de emergência. E espero, do fundo do coração com todo o amor, carinho e amizade que lhes devoto, que esses, sejam serviços pouco utilizados.
Trilha: Pra ser sincero (Marisa Monte) e todas as músicas que já nos fizeram rir! :D
P.s: É um post pequeno mas que diz tudo que eu queria dizer.
Por Carol
* 9/14/2007 10:00:43 AM
CERTEZA INABALÁVEL
Há um tempo (tempo mesmo) o Igor me escreveu um poeminha e eu nunca consegui verbalizar o quanto me senti especial por recebê-lo.
E então, quase 2 anos e tanto depois, me sentei e comecei a escrever umas palavras singelas e de repente elas tomaram forma. Daí, li e reli 15 vezes, mandei pra ele (que não sei se gostou) e agora posto aqui.
Eu realmente gostei dessas linhas...
Me peguei esses dias pensando em você. De novo.
Você apareceu na minha memória depois de um sonho: estavámos no cinema vendo um filme e nada mais. Era só isso: uma sessão de cinema.
Fiquei me lembrando da certeza inabalável que cercava a nossa vida: a certeza que eu tinha que te conhecia de todos os jeitos.
Eu achava que sabia todos os seus defeitos, achava que você não fazia nada errado, lembrava de quando você deitava no sofá lendo revista e aquilo era sinal de que algo não estava bem e que era o momento que você tirava para estar com você mesmo.
Essa frase me irritava: "não tenho tempo de estar comigo mesmo" e então lá ia você se jogar no sofá da sala, com uma revista qualquer, sem dar muito papo pra ninguém, nem pra mim.
Fiquei pensando em que exato momento coloquei você no pedestal da perfeição e obviamente não descobri que dia foi. Taí uma dúvida que vou levar pro resto da vida: quando foi que me deixei convencer de que o que tínhamos além de especial seria eterno?
Nada é eterno. Absolutamente nada.
Tudo muda, o mundo muda, até os limites dos países muda, por que diabos eu e você haveríamos de não mudar?
E então aconteceu o vendaval, sua vida seguiu por um lado e a minha foi para o rumo totalmente oposto e não foi o fim!!! Foi só doloroso porque até então eu acreditava que nada fosse nos separar mas essas coisas acontecem. As coisas apenas mudaram.
Acho que foi aí que te tirei do tal pedestal: vi que você era humano, fazia um monte de merda e às vezes também machucava os outros sem querer (acho que era sem querer, não te imagino sendo assim tão filho da puta...). Percebi então que você se jogar no sofá era só um momento de descanso e o fato de você querer ficar com você mesmo já nem me irritava mais.
E então outra certeza me chegou de mansinho, sem alarde: a de que você, por mais distante que esteja, é alguém que vou levar no coração por toda a vida. Alguém que por mais que não pareça ainda me conhece e até me respeita. Alguém que confia em mim e sabe que não sou assim tão irresponsável, só um pouco desligada.
E sem dúvida, essa certeza é inabalável.
E se a gente não se cruzar por aí não tem problema, agora entendo o que temos e sei o quanto isso é especial.
E realmente melhores amigos do mundo é meio batido mas sim, melhores amigos! Sempre.
Carol
Por Carol
* 8/16/2007 05:29:57 PM